terça-feira, 27 de março de 2012

João Rodrigues - The Interview


Por fim, mas não menos importante que os anteriores entrevistados, está o Sr. João Rodrigues, o meu primeiro encenador. Sim, este senhor foi o responsável pela minha ida para o Teatro, os primeiros passos foram dados sobre a sua mão. Com ele aprendi o saber estar em palco, aprendi a dar valor ao Teatro.
Numa outra ocasião também já falei do que fez, podem sempre espreitar aqui:http://conscienciasteatrais.blogspot.pt/2007/05/quem-somos.html


O Sr. João que esteve afastado destas lides uns tempos, voltou de novo em grande forma aos trabalhos teatrais, sendo novamente encenador do Grupo de Teatro do Grupo Bandolinistas 22 de Maio da Idanha, estando já a ensaiar uma peça, com estreia para breve.
Quanto à entrevista, aqui fica:




Consciências Teatrais - O que significa o Teatro para si?
João Rodrigues - O Teatro! É um enorme contributo para a valorização cultural e social do desenvolvimento da pessoa humana, quer na escrita ou na representação, dando por isso, um sentido verdadeiro à vida.

C. T.- Fale-nos de um momento marcante em palco?
J. R.- Os momentos marcantes de qualquer apaixonado pelo teatro e que está em palco são chamados de apoteose, nessa altura quando o público gosta sabemos, ele aplaude de maneira vibrante, ai é o nosso momento marcante.

C. T. - Quando pisa um palco, ainda que não seja como actor, o que sente? A que lhe cheira o palco?
J. R.- O cheiro do Palco! É idêntico ao cheiro de um baú à muito tempo fechado e que se abre para lhe dar vida, por vezes até a morte, mas é o palco onde tudo acontece.

C. T. - Já encenou, ou fez o papel da sua vida?
J. R.- O papel da minha vida já fiz... mas de alguma maneira acho que não estou realizado, à sempre coisas novas que surgem e o desafio é constante.

C.T. - Existe alguma peça ou algum tema que gostaria de retratar em palco que ainda não tenha feito?
J. R.- A Forja... é a peça que gostaria de retratar em palco, acho um drama social que se aplica aos dias de hoje, de Alves Redol.

C. T. - Deixa uma mensagem para este dia Mundial do Teatro.
João Rodrigues - Hoje dia do Teatro Amador, o que poderei eu dizer... dessa arte nobre, que representar a guerra e a paz, a tristeza e a alegria, o bom e o mau, o nascimento e a morte, no teatro está a vida! Já que todos nós de médico e de louco temos um pouco, porque não de artista?
Colabore, participe em grupos de teatro amador, na escola, no trabalho e na sua colectividade... muitas felicidades para todos os que participam nos grupos de teatro, e ao público no geral.

Sónia Castro- The Interview



- O Teatro entrou na tua vida por acaso, ou era um sonho que tinhas?
Pode dizer-se que começou por acaso e transformou-se em sonho. O Teatro anunciou-se na Escola Primária, em S. João da Madeira. Tal como aos meus colegas, a professora atribuía-me uma personagem e eu cumpria o pedido. Nessa fase, eu gostava mais de dançar e cantar. Já na Peparatória, em Santa Maria da Feira, ingressei na Dança, como actividade extra-curricular, e através da qual participava nos espectáculos que a escola preparava. No 6º ano, na peça de fim de ano lectivo, para além de dançar, também me desafiaram para fazer teatro. E eu não disse que não. Dançar e representar: “Eureka”! Mais tarde, por altura do 9º ano e pela quase que “obrigatoriedade” de escolher uma profissão e uma área para o futuro, o que descobri em mim foi o mundo do espectáculo. Queria poder representar e cantar e dançar como forma de vida. E aí sim, nasceu o Sonho!

- Para além da experiência de Teatro Amador, também pisaste pelo menos uma vez um palco com profissionais, as diferenças são muitas?
Considero-me uma privilegiada por já ter experimentado o teatro amador, o universitário e o profissional. Naturalmente há diferenças, mas nem vou referir as possibilidades orçamentais que uns poderão ter e os outros não. Neste caso, o dinheiro não é tudo e não serve de desculpa para o que se pode ou não construir. Penso que a questão primordial (e sublinho que é uma reflexão muito pessoal) é que no teatro profissional, estamos lado a lado com pessoas com formação teatral, com muita bagagem e que nunca dão por terminada a sua aprendizagem. Pessoas que querem evoluir constantemente. Pessoas que vêem o trabalho que outros colegas em outras companhias fazem. E pessoas que sabem que cada pessoa que está na plateia pagou um bilhete para ver um espectáculo e que, por isso, merece que cada actor, cada técnico dê o seu melhor. E é o que infelizmente não se encontra em alguns grupos de teatro amador. Para mim, profissionalismo não se aplica apenas aos profissionais.

- O que procuras no Teatro, ser o que nunca foste, ou aplicar algo de ti nas tuas personagens?
O Teatro é uma forma de ser o que não sou, nunca fui e que provavelmente nunca serei. E o ideal é que as minhas personagens tenham muito pouco de mim. Quanto mais conseguir afastar-me de mim, melhor será a minha interpretação! É isso que, para mim, é ser actor ou actriz.

- Fizeste alguma personagem que te tenha marcado mais profundamente, que tenha sido difícil o desapego a ela?
Tenho de referir a personagem que abracei durante cerca de três meses (e mais um mês e pouco de ensaios), cinco dias por semana, no Teatro da Trindade, em Lisboa. Eu era uma das guerreiras lusitanas da peça “Viriato”, encenada por Jorge Fraga e escrita por Diogo Freitas do Amaral. Foi muito intensa, não tanto a personagem, mas toda a experiência e o trabalho de grupo. E foi tão difícil separar-me dela! No último espectáculo, no momento dos aplausos, as lágrimas apoderaram-se de mim. E isso só me aconteceu nessa vez! Os dias posteriores, já sem correr para o Trindade, foram como que vazios e  tristes. Portanto, isto tem de significar alguma coisa...

- Que tipo de Teatro não gostas? Porquê?
Não posso falar de um tipo específico de teatro. Não gosto do teatro que é oco e que não me emociona. E emocionar tem tanto de rir como de arrepiar. Não gosto do teatro que é, como costumo dizer, “só plumas e lantejoulas” e que depois não tem conteúdo. E não tenho nada contra as plumas e lantejoulas, até gosto muito, mas o espectáculo tem de ser e ter mais do que isso.

- O que gostarias de voltar a ser em palco?
Prefiro pensar no que ainda não fui em palco. Há tudo por fazer e experimentar!

- Uma mensagem para este Dia Mundial do Teatro.
Aproveito o Dia Mundial do Teatro para deixar uma mensagem para quem faz teatro, principalmente amador: tenham vontade de fazer mais, de evoluir, de ver mais teatro, de apostar na formação, de ler muito, de experimentar vários estilos e textos e autores. E claro, é preciso reflectir sobre o teatro. Porque ele é muito mais do que um passatempo que serve para mostrar aos amigos e à família que se sabe fazer uma ou outra coisa engraçada. E mais: sejam (auto-)críticos e humildes.
E aproveito também para deixar uma mensagem para os possíveis públicos: desafiem-se a ir ao teatro. “Não negue à partida uma ciência que desconhece!” É curioso ouvir pessoas comentarem que não gostam de teatro, mas logo a seguir dizem que nunca foram ver uma peça. E não digam que o teatro é caro. Há teatros (profissionais) onde é possível assistir a uma peça por 5, 6, 7 euros. Não é um luxo, pois não?

Sónia Castro - Uma jornalista pelos palcos...

Conheci a Sónia penso que em 2001, na altura em que preparamos o musical "Memory" com o Grupo de Teatro Contrasenso. Com o passar dos anos a Sónia continuou o seu percurso teatral, musical e profissional, estivemos alguns anos sem falarmos muito, mas sempre admirei a sua versatilidade.
Aqui fica aquilo que já fez por este meandros dos palcos...


De 1995 a 2005 integrou o Grupo de Teatro Grupo Gólgota em Santa Maria da Feira com as peças:
"O Padre que se drogou..." – 1995 a 1999 

“Via-Sacra” – 1996 a 2006 
"Entrada Triunfal" – 1998 
"Ser Passionista no Mundo" – 1998 
"Santa Maria, Mãe do Tempo Novo" – 1998 
"O Bailarino Santo" – 1999 
"Os Filhos Pródigos" – 2000 a 2005  


Encenações de João Bezerra


De

1996 a 2000

Teatro da Academia em Viseu com as peças:
Performance “Da minha língua vê-se o mar” – 1996 

“Salvação” – 1996 
Performances "Azul" e "Vermelho" – 1997 
"Arca de Noé" – 1997 
"Delícias & Malmequeres" – 1998 
"Uma cadeira nma brincadeira" – 1998 
"Delícias & Malmequeres" – 1998  
Noite de Guerra" - 1999
"Haja Respeito!” – 2000


Encenações de Jorge Fraga



1999 - Formação do "Indo eu" - Projecto teatral inovador em Viseu, cujas várias actuações se definem como exercícios teatrais e performances, em locais diversos.


2000 - Workshop “A Poética do Espaço”, por Paulo Matos
Participação na peça protagonizada por este actor, “E Agora, Outra Coisa”, no Teatro Viriato - Viseu.

2003 - Teatro da Trindade (Lisboa) - “Viriato” – 2003
Autoria de Diogo Freitas do Amaral, encenação de Jorge Fraga.

2006 - Projecto de exploração – exercícios sobre o conto “A Testemunha” de Manuel da Fonseca, dirigido pelo actor Hugo Miguel Coelho

Projecto teatral CorpoCriações da Associação Ex-Quorum (Lisboa).



2001 a 2012 - Teatro Contra-Senso (Lisboa) com as peças:


“Memory” – 2001 e 2006
“Musas” – 2002
“3 Graças e 6 Sentidos” - 2003 e 2007
“Dancing With the Devil” – 2003
“É meia-noite, Doutor Schweitzer” - 2004
“À Noite” – 2004 e 2012
“Romeu e Julieta” - 2007

Encenações de
Miguel Mestre








Dentro de momentos segue a entrevista à Srª Jornalista Sónia Castro...




sábado, 24 de março de 2012

Miguel Mestre - The interview


Consciências Teatrais- Em que te ou em quem te inspiras para escreveres as tuas peças?


Miguel Mestre- Inspiro-me fundamentalmente nas minhas vivências pessoais, apesar de a sociedade ser igualmente uma fonte de inspiração que nunca deixa de brotar.


C.T.- Quando escreves, já o fazes tendo em vista alguém para o papel?


M.M. - Inicialmente escrevia para Actores, agora escrevo sem visualizar o rosto das personagens. Crio as figuras, dou-lhes vida no papel, mas são sempre Seres sem rosto. Contudo, existe personagens que se torna inevitável a associação a qualquer actor que conhecemos, tendemos sempre a associar traços de carácter a personagens que já vimos alguma Actor desempenhar.


C.T.- Lembras-te da tua primeira vez em palco? E da sensação que sentiste?


M.M.- Como poderia esquecer? Penso que todos os Actores se lembram da sua primeira vez em palco. É uma experiência marcante que nos acompanha para o resto da vida. Tinha 16 anos a primeira vez que pisei o palco. Fui a Brízida Vaz no Auto da Barca do Inferno no anfiteatro da minha escola secundária. Senti-me em pânico antes de entrar em cena, em transe no palco e aliviado no final.


C.T.- Qual foi o papel da tua vida?


M.M.- Não cheguei a ter o papel da minha vida. Na minha curta aventura pela encarnação de personagens não cheguei a ter "aquela" personagem.
Nunca pensei nisso, honestamente prefiro escrever do que representar.


C.T. - O que ainda te falta fazer em palco ou escrever numa peça de Teatro?


M.M. - Ainda me falta fazer muito em palco. A imaginação no que toca a situações que possamos ver representadas em palco não tem limites, é tão infinita quanto o universo, é essa a magia do Teatro, há sempre situações novas enquanto a liberdade intelectual do Homem existir.


C.T.- Deixa uma mensagem para este dia Mundial do Teatro.


Miguel Mestre: - Não vou dizer a frase cliché a que estamos habituados: "vão ao Teatro, não deixem morrer o Teatro " prefiro dizer "vivam o mais possível, dissequem a vida, questionem, tomem atitudes, gritem, amem... de tudo isto nascerá Teatro com certeza!"


Melhores cumprimentos a todos
Sandra C.

Miguel Mestre um criador de sonhos...


Olá, vou dar inicio a esta ronda de mini-entrevistas, pelo encenador Miguel Mestre.
Encenador e criador das peças que o Grupo de Teatro Contrasenso leva a cena desde 9 de Julho de 1997.
Também já foi actor, mas destaco aqui, as mais variadas peças escritas por ele, desde dramas a comédias, passando também pelos musicais.

Aqui ficam algumas das peças escritas por si:
- Déjà Vú em
- Apologia Hominídia
- Coita d'Amor
- Romeu e Julieta de Gulherme Shake the Beer
- Drácula de Bran Stocker (Adaptação)
- Simbiose
- Lenda do Ser em
- Lisboa Tudo e Nada em
- Memory
- Musas em
- 3 Graças e Seis Sentidos
- Dancing whit the Devil
- À Noite
- Paradoxo
- A Colina
- Road
- Icaro

Com o Miguel, dei passos muito importantes em palco, aprendi a não ter vergonha de representar uma personagem, mesmo esta sendo estranha, ridícula, pelo menos aos olhos do comum mortal.
Aprendi a libertar-me, aprendi que o palco é um local de fortes emoções e aprendi a crescer como actriz!
Obrigado Michael por tudo o que me ensinaste...

Sandra C.


sexta-feira, 23 de março de 2012

O Teatro...


Image in the http://theexpatriate.deviantart.com
Caminhamos para as comemorações de mais um Dia Mundial do Teatro na próxima Terça-feira dia 27.
Apesar de esta velhinha arte, apenas fazer parte do meu passado e eu não passar de uma mera espectadora, não quero deixar passar em branco esta dia.
Antes de mais "comprometer-me" a este ano tentar ir ver mais Teatro. Depois para comemorar esta data, gostaria de fazer uma coisa um pouco diferente. Este ano para dar um pouco mais de vida a este cantinho, resolvi armar-me em "jornalista" que não sou nem nunca fui, e fui "entrevistar" algumas pessoas que estão ou já estiveram em contacto com o palco.
Quanto ao palco, posso dizer que muitas saudades tenho eu de pisar um, de sentir o seu cheiro, de sentir a adrenalina dos ensaios, da criação de mais uma personagem, das estreias, do incógnito que é a reacção do público. Sinto saudades dos aplausos, dos ohhhhs e ahhhs quando alguma cena os choca ou surpreende. Saudades de tudo isso....
Das poucas vezes que tenho ido ao Teatro, tenho saído da sala com falta daquilo que gosto sentir, que é ao acabar o espectáculo, sentir-me cheia de um não sei quê, que me preenche e me deixa a falar do que vi, durante o resto da noite e por vezes ainda no dia seguinte.... isso não tem acontecido e pergunto-me porquê?
Será que sou eu que estou a ficar (ainda) mais exigente com o que acho aceitável? Será que está a acontecer-me, o que aconteceu com os livros que é ler, ler e não encontrar nada que me deixa satisfeita?
Talvez o problema se chame, eu criar grandes expectativas que nunca são superadas...
Talvez este ano eu vá ver a Tal peça que me surpreenda e deixe o meu coração a bater rápido!

Cumprimentos Teatrais a todos!!
Sandra C.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pensamentos sobre Teatro...

Estas frases não fui que as escrevi, de qualquer maneira aqui ficam algumas ideias, alguns pensamentos interessantes.

Em breve voltarei com novidades para o Dia Mundial do Teatro.


"O teatro é o primeiro soro que o homem inventou para se proteger da doença da angústia."


Jean Barrault




"A vida é uma peça de teatro, que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos"


Charles Chaplin




"Então sonhei um sonho tão bom: sonhei assim: na vida nós somos artistas de uma peça de teatro absurdo escrita por um Deus absurdo. Nós somo todos os participantes desse teatro: na verdade nunca morreremos quando acontece a morte. Só morremos como artistas. Isso seria a eternidade?"

Clarice Lispector




"O mundo inteiro é um palco
E todos os homens e mulheres não passam de meros actores
Eles entram e saem de cena
E cada um no seu tempo representa diversos papeis"


William Shakespeare                                                                                                                            








Saudações teatrais a todos
Sandra C.