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Miguel Mestre - The interview


Consciências Teatrais- Em que te ou em quem te inspiras para escreveres as tuas peças?


Miguel Mestre- Inspiro-me fundamentalmente nas minhas vivências pessoais, apesar de a sociedade ser igualmente uma fonte de inspiração que nunca deixa de brotar.


C.T.- Quando escreves, já o fazes tendo em vista alguém para o papel?


M.M. - Inicialmente escrevia para Actores, agora escrevo sem visualizar o rosto das personagens. Crio as figuras, dou-lhes vida no papel, mas são sempre Seres sem rosto. Contudo, existe personagens que se torna inevitável a associação a qualquer actor que conhecemos, tendemos sempre a associar traços de carácter a personagens que já vimos alguma Actor desempenhar.


C.T.- Lembras-te da tua primeira vez em palco? E da sensação que sentiste?


M.M.- Como poderia esquecer? Penso que todos os Actores se lembram da sua primeira vez em palco. É uma experiência marcante que nos acompanha para o resto da vida. Tinha 16 anos a primeira vez que pisei o palco. Fui a Brízida Vaz no Auto da Barca do Inferno no anfiteatro da minha escola secundária. Senti-me em pânico antes de entrar em cena, em transe no palco e aliviado no final.


C.T.- Qual foi o papel da tua vida?


M.M.- Não cheguei a ter o papel da minha vida. Na minha curta aventura pela encarnação de personagens não cheguei a ter "aquela" personagem.
Nunca pensei nisso, honestamente prefiro escrever do que representar.


C.T. - O que ainda te falta fazer em palco ou escrever numa peça de Teatro?


M.M. - Ainda me falta fazer muito em palco. A imaginação no que toca a situações que possamos ver representadas em palco não tem limites, é tão infinita quanto o universo, é essa a magia do Teatro, há sempre situações novas enquanto a liberdade intelectual do Homem existir.


C.T.- Deixa uma mensagem para este dia Mundial do Teatro.


Miguel Mestre: - Não vou dizer a frase cliché a que estamos habituados: "vão ao Teatro, não deixem morrer o Teatro " prefiro dizer "vivam o mais possível, dissequem a vida, questionem, tomem atitudes, gritem, amem... de tudo isto nascerá Teatro com certeza!"


Melhores cumprimentos a todos
Sandra C.

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