terça-feira, 2 de outubro de 2012

Peça de Natal "Os Espíritos de Natal"

Faltando menos de três meses para o Natal, começa a procura de textos, versos, canções para a quadra natalícia. Num outro blog que tenho http://bluestrassbychristmas.blogspot.pt, tenho lá um texto escrito por mim. Ao fazer a pesquisa no Google por "Peça de Teatro de Natal" congratulo-me de dizer que a minha página é a segunda mais procurada. Logo achei por bem, colocar aqui também a dita peça, uma vez que este cantinho trata de partilha de opiniões, de textos teatrais.
Este ano não é excepção, a dita peça vai estar disponível em ambos os blogs, sem que qualquer grupo ou particular tenha que pagar direitos de autor. Esta é a minha única peça colocada na íntegra na Internet.
Podem usá-la, apenas agradecia um email para sandra.cabacos@gmail.com ou deixando um comentário aqui, com indicações de que a vão fazer... não é pedir muito, pois não?? Também não vale a pena virem comentar que a história não é original, que as canções não são minhas, a minha única resposta será que escrevo textos, à minha maneira e não sou letrista.
Espero que gostem...

Cumprimentos Teatrais
Sandra C.

Na altura de Natal andam todos sempre muito atarefados, os meninos a pensarem nas férias e nas prendas que vão receber e também nos testes, o pai e a mãe com os preparativos do Natal, o mundo inteiro anda tão ocupado e esquece-se de parar e perguntar:

- Afinal qual é o espírito de Natal? O verdadeiro espírito do Natal? Alguém sabe onde ele anda? Quem é ele ou ela? Alguém quer dar um palpite? Não, pois bem nós hoje vamos procurar descobrir isso mesmo.(Entra um homem de fato, pasta e telemóvel na sala a falar)
Homem 
– Estou, estou, Graça, a reunião de hoje de tarde, têm de ser cancelada. Surgiu um imprevisto e tenho de ir almoçar ao Porto com o Dr. Ribeiro.
Não se esqueça do mapa que lhe pedi, ahh e as ofertas para os Doutores tem de ser entregues nos escritórios até ao fim desta semana.
Adeus até logo. 
(Desligando o telemóvel, falando para si próprio) É que segunda-feira já é dia de Natal, detesto esta época do ano! Andamos durante um mês a fingir que gostamos de todos, quando afinal, ninguém gosta de nós! (Falando agora para o público)Oh, desculpem, não vos tinha visto. Não acham que é verdade?
É as prendas para meio mundo que nós não conhecemos de lado nenhum.
E depois é a jóia para a esposa para parecer bem, é os ténis das rodas para a filha se não ela faz uma cena que só visto... Não há paciência.... (nisto escorrega e cai de chapa no chão, quando agarra num papel que diz “Sabe qual é o verdadeiro espírito de Natal?” 
Lê isto alto para o público e depois diz): 

Homem – Espírito de Natal? Mas qual espírito nem meio espírito, é tudo mentira, não existe nada disso
.

(No palco está já a menina pobre sentada no banco de jardim, que começa a dizer): 

Menina – Uma esmolinha, quem ajuda a pobrezinha com uma esmolinha. 
(e vai tocando o sininho para chamar a atenção) Truz, truz, truz,
Quem é que vem aí?
É o grupo dos pastores
Que chegou agora aqui
Ó meu Menino Jesus
Da lapa do coração
Dai-me vós alguma coisa
Que está pobre o meu surrão...
Refrão (bis)
Ó meu Menino Jesus
Descalçinho pelo chão
Metei os vossos pezinhos
Dentro do meu coração...

Menina
 – O senhor não me podia ajudar? Estou doente, já não como nada desde ontem...
(O homem põe-se a olhar para a menina e incomodado diz-lhe muito rapidamente enquanto sobe para o palco):

Homem – Agora não tenho tempo, tenho muitas coisas para fazer, tenho de ir para o Porto, agora não posso.

Menina – O senhor não acredita no espírito de Natal? Mas olhe que devia, se toda as pessoas acreditassem, de certeza que não existia tanta miséria no mundo.
Boa viagem e um Bom Natal para o senhor e para a sua família.

(O homem ainda fica a olhar para a menina, mas saí muito apressado, do lado oposto do palco, entra uma senhora muito afogueada, com muitas compras em uma das mãos e na outra uma lista): 

Mulher 1- Ora, o perfume para José já está, as pantufas para a Rita também, as peúgas para o avô Manuel...os panos de cozinha para a Isabel, ai tanta gente, esta lista parece que aumenta todos os anos, já não sei o que oferecer (e senta-se no banco de jardim) 

Menina - Olá. A senhora desculpe, em vez de oferecer essas coisas que se calhar oferece todos os anos já pensou em oferecer antes um abraço, um beijo, um carinho....?

Mulher 1- (muito surpreendida com a ousadia da menina)Isso é que era bom... Quando eu tinha a tua idade, tomara – mos nós ter o que comer, quanto mais pensar em prendas, isto agora é tudo muito diferente...

Menina – Por isso mesmo, a senhora própria o diz, porque não tenta dizer isso ás pessoas?

Mulher 1 - Os tempos são outros, a festa Natal já não têm o mesmo significado que antigamente, hoje a festa é apenas comercial, o que interessam são os presentes, esqueceram-se completamente porque se reunia a família na noite de Natal. Tu sabes porquê?
Para festejar o nascimento do menino. A história já é muito antiga. Queres que eu te conte?

Menina - Se a senhora não se importasse...

Mulher 1 – Não me importo nada, sabes os meus netos já não gostam de ouvir estas histórias, dizem que são velhas e que já têm barbas, mas eu conto-te.
Maria, mãe de Jesus, vivia na cidade de Nazaré, ela estava prometida para se casar com José. Uns dias antes do seu casamento, apareceu-lhe o Anjo Gabriel dizendo-lhe que Deus o tinha enviado para lhe dar a boa-nova que ia ter um filho, ao qual devia chamar Jesus.
Maria ficou muito surpreendida e perguntou-lhe como poderia ser isso, se ela ainda não era casada? O anjo respondeu-lhe que seria obra de Deus. Que o Espírito Santo desceria sobre ela e daí nasceria o Filho de Deus, Jesus. José ao saber que Maria estava grávida antes de casar com ele, ficou a pensar que não devia de casar. Então apareceu-lhe um anjo para o descansar dizendo-lhe que o filho que Maria trazia no ventre é o Filho de Deus e que se chamará Jesus porque vai salvar o povo dos seus pecados. Alguns meses depois ainda Jesus não tinha nascido, o imperador romano Augusto, fez uma nova lei onde toda a população tinha de se ir recensear na cidade onde tinham nascido, para depois serem cobrados impostos.A família de José viera de Belém, então um dia puseram-se ao caminho, com Maria montada em cima de um burrinho, fizeram a longa viagem e quando chegaram a Belém não conseguindo arranjar uma estalagem para passar a noite, encontraram um estábulo, onde José fez uma cama com palha e ai passaram a noite. Á meia-noite nasceu o menino, Maria embrulhou-o num pano e José encheu a manjedoura com palha nova para deitarem o bebé. Chamaram-no de Jesus, tal como o anjo lhes tinha dito e ficaram a adorar o menino toda a noite.Bem agora que te contei a história do menino Jesus tenho de me ir embora, tenho mil e uma coisas para fazer... (diz agarrando nos sacos e levantando-se para ir embora)
 

Menina – A senhora acredita no espírito de Natal?

Mulher 1 – Ó minha querida, isso do espírito de Natal já não existe, tal como te disse já ninguém dá o verdadeiro valor ás verdadeiras razões desta festa. Adeus...e olha...um Feliz Natal.

(Narrador) A menina ficou a olhar para o vazio e sentiu um arrepio de frio enorme quando passa uma outra menina por ela, muito bem agasalhada e que lhe diz com um ar muito impertinente:

Menina 2 – És feia, estás suja, cheiras mal, porque estás na rua, não tens uma casa?

(Narrador) A menina com lágrimas nos olhos, perante a crueldade da criança, encolheu os ombros e nada lhe responde. A menina vai - se embora sem ligar á sua tristeza.A menina ainda tenta perguntar:

Menina – Olha, sabes o que é o espírito de Natal?

(Narrador) Mas a menina já tinha ido embora e de certeza que não sabia o que era isso. Então ela pergunta:

Menina - Oh Meu Deus, porque sou tão infeliz? Porque não hei-de ter uma casa como todos os meninos que aqui passam? Onde estão os meus pais? Porque hei-de passar tanta fome e tanto frio? (Ao dizer isto surge em cena uma gata, com uma grande barriga, pois estava prestes a ter gatinhos. E começa a miar e a ronronar, baixinho, aproximando-se da menina, sobe para cima do banco e perante o espanto da criança começa a falar com ela): 


Gata – Olá...rrroonn... estás sozinha? (A menina acena com a cabeça) Eu também, posso me sentarrr? Sabes a barrrrriga já me pesa. (Sentando-se e começando a lamber as patas e a coçar a cabeça)
Estás sozinha aqui na rrrua? Onde estão os teus pais?

Menina – Não sei, não sei quem são os meus pais, sempre me lembro de viver sozinha na rua. E tu não tens um dono? Estás com uma barriga muito grande... onde está o pai dos teus gatinhos?(fazendo-lhe festas na barriga, a gata ronrona e dá-lhe turras)O pai dos meus gatinhos? Esse malvado, assim que soube que eu estava de novo grrrávida nunca mais quis saberrr de mim, mas eu não me imporrto, antes só que mal acompanhada. E dono já não tenho há muito tempo. Quando errra uma pequena gata fui oferrecida a um menino pela sua passagem de ano escolarr, mas quando comecei a crrescer nem ele nem os pais quiserram saberr de mim e então abandonarrram-me neste jarrdim. E é esta a minha histórrria.

Menina – Olha lá e tu acreditas no espírito de Natal?

Gata – Espírrito de Natal? Achas que eu tenho motivos parra acrrreditar nisso? Se eu te disserrr que no único Natal que eu passei com os humanos, eles até se esquecerram mim...durrrante dois dias estive fechada na varrranda, sem comerr só tinha água parrra beberrr. Pelo menos na rrrua sempre nos vamos ajudando uns aos outrrros , quando encontrrramos algum pitéu saborrroso, sabemos parrrtilhá-lo. Entendes, o que te querrro dizerrr?

Menina – Entendo sim, oh como eu te entendo, todos os meus Natais foram passados na rua e nessa altura poucas são as pessoas que nos dão a mão quando temos frio e fome. Mas acho que já nem ligo a isso e sinceramente, desde que tenha um cartão seco com que me possa cobrir e arranje um canto onde não apanhe tanto frio, para mim já fico satisfeita.

Gata – Pois é minha querrrida, a vida de quem vive na rrua é assim. Mas pelo menos semprre vamos encontrrrando pessoas especiais como tu, que o humano conseguia ouvirrr e falarrr com uma gata? Nenhum. Sabes que mais? Acho que este Natal parrra mim vai serrr especial, pois pode serrr que tal como Marrria teve menino Jesus na noite de Natal, os meus meninos Jesus também nasçam nesta noite. Agorrra tenho que irrr, tenho que arrranjarrr um sítio parrra dormirrr, vais ficarrr aí?Menina – Sim, ainda fico mais um pouco. Que tenhas uma horem mal aos animais? Cada vez mais me convenço que as pessoas não têm coração, ou pior, no lugar do coração têm uma pedra e das pesadas. Bem eu não quero ficar mais triste do que já estou e que tal se caa pequenina. E um Feliz Natal. Gata –Obrrrigada, minha querrrida, um Bom Natal parrra ti também. (A gata saí a miar)Menina – Como é possível que existam pessoas que fazntássemos uma canção?Uma vez ouvi um vélhinho cantar esta canção e nunca me esqueci, ora vamos lá, vocês secalhar até a conhecem:Eu hei-de dar ao Menino

Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha pró chapéu;
E ele também me há-de dar
Um lugarzinho no céu.
Olhei para o céu,
Estava estrelado.
Vi o Deus Menino
Em palhas deitado.
Em palhas deitado,
Em palhas estendido,
Filho duma rosa,
Dum cravo nascido!
No seio da Virgem Maria
Encarnou a divina graça;
Entrou e saiu por ela
Como o sol pela vidraça.
Arre, burriquito,
Vamos a Belém,
Ver o Deus Menino
Que a Senhora tem;
Que a Senhora tem,
Que a Senhora adora.
Arre, burriquito
Vamos lá embora. 
(A meio da canção entra um casal de vélhinhos, que já conhecia a menina, então sentaram-se com ela no banco de jardim, a vélhinha a observar e o vélhinho a fazer ares de maestro para a menina) 
Vélhinhos – (Numa só voz) Muito bem, cantaste muito bem!

Menina – Obrigado, já há muito tempo que não os via?(dirigindo-se aos meninos) Este senhor aqui foi quem me ensinou esta canção e outras mais. Digam olá aos senhores. 
(As crianças no público: OLÁAAAA!)Vélhinho – Olá, olá! Então, estão bons? Estão a gostar da tarde de hoje? (Espera-se a suposta resposta das crianças: SIM!!!!)Vélhinha – Ora ainda bem, ainda bem. Então minha querida mais um Natal e tu continuas aqui....?

Menina – Pois continuo, não tenho mais nenhum sitio para onde ir, e os senhores este ano não vão para a terra passar o Natal?

Vélhinho – Não, este ano ficamos por cá, o dinheiro é pouco e a viagem é longa e depois já não temos muitos motivos para lá ir.

Menina – Aí não? Então o que aconteceu?

Vélhinha – Então filha, as poucas pessoas que tínhamos lá já morreram, então para ir e ficarmos ainda mais tristes, não queremos, preferimos ficar por cá, comemos o bacalhau na mesma e olha depois do jantarinho vamos para a cama que as noites estão muito frias, não é vélhinho? 
(O vélhinho acena que sim com a cabeça)Menina – Então e não tem filhos? E os netos?

Vélhinho – Minha querida, nós para os filhos quase nem existimos, enquanto nós tínhamos alguma coisa para lhes dar, eles ainda foram aparecendo, agora, que era a vez de eles que nos dar a nós alguma coisinha, nem que fosse um abraço, nem se lembram que ainda existimos.

Vélhinha – Sabes, infelizmente esta é a realidade de muitos idosos do nosso país.

Menina – Que pena... e eu que gostava tanto de ter uns pais ou uns avós a quem pudesse dar carinho...a vida é muito injusta...

Vélhinho – Pois é minha querida, mas quem sabe, quem sabe se este Natal não te aparece um anjo que te traga uma prenda especial.

Vélhinha – Bem, vélhinho temos que ir para casa, está a ficar muito frio para andarmos na rua. Adeus minha querida até um dia destes. Um Feliz Natal.

Vélhinho – Adeus, até um dia destes, adeus meninos um Feliz Natal.
(Crianças despedem-se dos vélhinhos enquanto estes deixem o palco e passam pelo meio das crianças, a menina fica muito triste, muito cabisbaixa sentada no banco, quando entra um anjo no palco e se dirige a ela) :
 
Anjo Nanael – Olá. Porque estás tão triste?

Menina - ( sem sequer olhar para o anjo) Estou triste porque descobri que afinal ninguém sabe o que é o espírito de Natal. As pessoas são muito egoístas...

Anjo Nanael – Não penses assim, todas as pessoas têm um pouco de bondade dentro de si, nem que seja lá no cantinho do coração, existe sempre um pouco de bondade a espreitar, o que se passa nos dias de hoje, é que a sua vida tornou-se numa verdadeira correria e que as pessoas só param para pensar em tudo o que os rodeia, quando algo lhes acontece de mal, então o mundo desaba sobre as suas cabeças e é quando se apercebem de que tudo está errado no mundo em que vivem.

Menina – (olhando agora para o anjo com uma expressão espantada) Quem és tu? De onde vieste? Porque é que tens asas?

Anjo Nanael – Olha minha Estrela, sim se calhar já nem te lembras que te chamas Estrela. Eu chamo-me Nanael e estou aqui para te dar uma Boa Nova, da mesma maneira que o Anjo Gabriel apareceu a Maria para lhe dar a notícia do nascimento de Jesus, eu estou aqui para que tu não deixes de ter fé e esperança que a tua vida vai mudar.

Menina – Mas como, de que maneira? Eu já não acredito em nada nem em ninguém...

Anjo Nanael – Mas tens de acreditar...agora tenho que ir.
Toma, aceita esta Estrela de Natal, para que não te esqueças de mim nem deste Natal, que vai ser muito importante na história da tua vida.
Adeus e um Feliz Natal para ti. 
(O Anjo Nanael vai saindo do palco pelo meio das crianças, a menina fica a observar a Estrela de Natal, enquanto entra de novo no palco o casal de vélhinhos que lhe diz): 
Vélhinho – Olá de novo, aí esta nossa cabeça de alho chocho... Voltamos atrás para te perguntar se querias passar o Natal connosco?

Vélhinha – E... vá lá vélhinho, diz o resto...

Vélhinho – Mas qual resto?... Não me lembro.

Vélhinha – Ó querido, então, aquilo... aquilo... (O vélhinho encolhia os ombros), pronto deixa lá que eu digo-lhe. Então minha querida queríamos perguntar-te se para além do Natal, se querias passar a viver connosco, ou seja nós passamos a ser os teus avós. Ahhh, o que dizes?

Menina – Eu...eu nem sei bem o que diga...Eu...aceito, claro que aceito, de hoje em diante vão passar a ser os meus avôzinhos. Eu estou tão feliz.... (abrançando-os). Agora sim, consigo entender o que é o Espírito de Natal.

Homem – (Entra em palco mostrando-se muito cansado, falando para a menina sem se aperceber da presença dos vélhinhos) Olá de novo, posso me sentar, estou cansado.

Menina – (Sentando-se ao lado dele) Então não tinha uma reunião no Porto?

Homem – Eu ter até tinha mas por causa do mau tempo o voo foi cancelado, e a reunião têm de ficar para depois do Natal. Por um lado até não me importo, é que se fosse hoje para o Porto tinha de passar a véspera de Natal sozinho, assim pelo menos vou passá-lo em casa.

Vélhinha – Olá filho estás bom?

Homem – (surpreendido por ouvir a voz da mãe) Mãe?
(e olha para o lado onde estão os vélhinhos e diz muito embaraçado) Pai?

Vélhinho – Quase há um ano que não nos vemos.Homem – É verdade, mas a culpa é minha. Tenho sempre tanto trabalho que não tenho tempo para vocês. Nem para vocês nem para ninguém, sou um egoísta...

Vélhinha – Pronto, deixa lá isso. Estamos nas vésperas de Natal, temos que saber perdoar os outros.

Homem– A sério?

Vélhinho – Sim, esquece isso. O que é importante é que estás agora aqui ao pé de nós.

Homem – Já sei o que vamos fazer, vem todos passar o Natal lá a casa.

Vélhinho – Para quê? Para depois passares mais um ano sem te vermos, não, nós vamos para a nossa casa.

Homem – Pai, Mãe, eu sei que não tenho sido um bom filho, mas dêem-me uma oportunidade de emendar os erros que fiz e de vocês transmitirem aos meus filhos todos os vossos ideais de vida. Peço-vos que venham morar connosco, a nossa casa é imensa. E tu minha querida o convite estende-se a ti, se não fosses tu, continuaria a ser o mesmo rezingão do costume. Agora sim, posso-te dizer que acredito no espírito de Natal.

Menina – O anjo afinal tinha razão, a minha vida vai mesmo mudar. Estou tão contente (abraçando as outras personagens)


Vélhinho – E para comemorar esta alegria tão grande, nada melhor do que cantarmos uma cançãozinha, o que me dizem os meninos? 
(Fica-se á espera das respostas das crianças) Amar como Jesus amou

Um dia uma criança me chamou 
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir
E perguntou no meio de um sorriso:
"O que é preciso para ser feliz?"

REFRÃO: 
Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz
Ouvindo atentamente, ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei.
Pediu que eu repetisse, por favor,
Mas não dissesse tudo de uma vez.
E perguntou no meio de um sorriso:
- O que é preciso para ser feliz ?
Amar como Jesus amou...
Depois que eu acabei de repetir
Seus olhos não saíam do papel
Toquei na sua cara e a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel
E ela deu-me um beijo demorado
E ao meu lado foi cantando assim:

Amar como Jesus amou...
 

terça-feira, 27 de março de 2012

João Rodrigues - The Interview


Por fim, mas não menos importante que os anteriores entrevistados, está o Sr. João Rodrigues, o meu primeiro encenador. Sim, este senhor foi o responsável pela minha ida para o Teatro, os primeiros passos foram dados sobre a sua mão. Com ele aprendi o saber estar em palco, aprendi a dar valor ao Teatro.
Numa outra ocasião também já falei do que fez, podem sempre espreitar aqui:http://conscienciasteatrais.blogspot.pt/2007/05/quem-somos.html


O Sr. João que esteve afastado destas lides uns tempos, voltou de novo em grande forma aos trabalhos teatrais, sendo novamente encenador do Grupo de Teatro do Grupo Bandolinistas 22 de Maio da Idanha, estando já a ensaiar uma peça, com estreia para breve.
Quanto à entrevista, aqui fica:




Consciências Teatrais - O que significa o Teatro para si?
João Rodrigues - O Teatro! É um enorme contributo para a valorização cultural e social do desenvolvimento da pessoa humana, quer na escrita ou na representação, dando por isso, um sentido verdadeiro à vida.

C. T.- Fale-nos de um momento marcante em palco?
J. R.- Os momentos marcantes de qualquer apaixonado pelo teatro e que está em palco são chamados de apoteose, nessa altura quando o público gosta sabemos, ele aplaude de maneira vibrante, ai é o nosso momento marcante.

C. T. - Quando pisa um palco, ainda que não seja como actor, o que sente? A que lhe cheira o palco?
J. R.- O cheiro do Palco! É idêntico ao cheiro de um baú à muito tempo fechado e que se abre para lhe dar vida, por vezes até a morte, mas é o palco onde tudo acontece.

C. T. - Já encenou, ou fez o papel da sua vida?
J. R.- O papel da minha vida já fiz... mas de alguma maneira acho que não estou realizado, à sempre coisas novas que surgem e o desafio é constante.

C.T. - Existe alguma peça ou algum tema que gostaria de retratar em palco que ainda não tenha feito?
J. R.- A Forja... é a peça que gostaria de retratar em palco, acho um drama social que se aplica aos dias de hoje, de Alves Redol.

C. T. - Deixa uma mensagem para este dia Mundial do Teatro.
João Rodrigues - Hoje dia do Teatro Amador, o que poderei eu dizer... dessa arte nobre, que representar a guerra e a paz, a tristeza e a alegria, o bom e o mau, o nascimento e a morte, no teatro está a vida! Já que todos nós de médico e de louco temos um pouco, porque não de artista?
Colabore, participe em grupos de teatro amador, na escola, no trabalho e na sua colectividade... muitas felicidades para todos os que participam nos grupos de teatro, e ao público no geral.

Sónia Castro- The Interview



- O Teatro entrou na tua vida por acaso, ou era um sonho que tinhas?
Pode dizer-se que começou por acaso e transformou-se em sonho. O Teatro anunciou-se na Escola Primária, em S. João da Madeira. Tal como aos meus colegas, a professora atribuía-me uma personagem e eu cumpria o pedido. Nessa fase, eu gostava mais de dançar e cantar. Já na Peparatória, em Santa Maria da Feira, ingressei na Dança, como actividade extra-curricular, e através da qual participava nos espectáculos que a escola preparava. No 6º ano, na peça de fim de ano lectivo, para além de dançar, também me desafiaram para fazer teatro. E eu não disse que não. Dançar e representar: “Eureka”! Mais tarde, por altura do 9º ano e pela quase que “obrigatoriedade” de escolher uma profissão e uma área para o futuro, o que descobri em mim foi o mundo do espectáculo. Queria poder representar e cantar e dançar como forma de vida. E aí sim, nasceu o Sonho!

- Para além da experiência de Teatro Amador, também pisaste pelo menos uma vez um palco com profissionais, as diferenças são muitas?
Considero-me uma privilegiada por já ter experimentado o teatro amador, o universitário e o profissional. Naturalmente há diferenças, mas nem vou referir as possibilidades orçamentais que uns poderão ter e os outros não. Neste caso, o dinheiro não é tudo e não serve de desculpa para o que se pode ou não construir. Penso que a questão primordial (e sublinho que é uma reflexão muito pessoal) é que no teatro profissional, estamos lado a lado com pessoas com formação teatral, com muita bagagem e que nunca dão por terminada a sua aprendizagem. Pessoas que querem evoluir constantemente. Pessoas que vêem o trabalho que outros colegas em outras companhias fazem. E pessoas que sabem que cada pessoa que está na plateia pagou um bilhete para ver um espectáculo e que, por isso, merece que cada actor, cada técnico dê o seu melhor. E é o que infelizmente não se encontra em alguns grupos de teatro amador. Para mim, profissionalismo não se aplica apenas aos profissionais.

- O que procuras no Teatro, ser o que nunca foste, ou aplicar algo de ti nas tuas personagens?
O Teatro é uma forma de ser o que não sou, nunca fui e que provavelmente nunca serei. E o ideal é que as minhas personagens tenham muito pouco de mim. Quanto mais conseguir afastar-me de mim, melhor será a minha interpretação! É isso que, para mim, é ser actor ou actriz.

- Fizeste alguma personagem que te tenha marcado mais profundamente, que tenha sido difícil o desapego a ela?
Tenho de referir a personagem que abracei durante cerca de três meses (e mais um mês e pouco de ensaios), cinco dias por semana, no Teatro da Trindade, em Lisboa. Eu era uma das guerreiras lusitanas da peça “Viriato”, encenada por Jorge Fraga e escrita por Diogo Freitas do Amaral. Foi muito intensa, não tanto a personagem, mas toda a experiência e o trabalho de grupo. E foi tão difícil separar-me dela! No último espectáculo, no momento dos aplausos, as lágrimas apoderaram-se de mim. E isso só me aconteceu nessa vez! Os dias posteriores, já sem correr para o Trindade, foram como que vazios e  tristes. Portanto, isto tem de significar alguma coisa...

- Que tipo de Teatro não gostas? Porquê?
Não posso falar de um tipo específico de teatro. Não gosto do teatro que é oco e que não me emociona. E emocionar tem tanto de rir como de arrepiar. Não gosto do teatro que é, como costumo dizer, “só plumas e lantejoulas” e que depois não tem conteúdo. E não tenho nada contra as plumas e lantejoulas, até gosto muito, mas o espectáculo tem de ser e ter mais do que isso.

- O que gostarias de voltar a ser em palco?
Prefiro pensar no que ainda não fui em palco. Há tudo por fazer e experimentar!

- Uma mensagem para este Dia Mundial do Teatro.
Aproveito o Dia Mundial do Teatro para deixar uma mensagem para quem faz teatro, principalmente amador: tenham vontade de fazer mais, de evoluir, de ver mais teatro, de apostar na formação, de ler muito, de experimentar vários estilos e textos e autores. E claro, é preciso reflectir sobre o teatro. Porque ele é muito mais do que um passatempo que serve para mostrar aos amigos e à família que se sabe fazer uma ou outra coisa engraçada. E mais: sejam (auto-)críticos e humildes.
E aproveito também para deixar uma mensagem para os possíveis públicos: desafiem-se a ir ao teatro. “Não negue à partida uma ciência que desconhece!” É curioso ouvir pessoas comentarem que não gostam de teatro, mas logo a seguir dizem que nunca foram ver uma peça. E não digam que o teatro é caro. Há teatros (profissionais) onde é possível assistir a uma peça por 5, 6, 7 euros. Não é um luxo, pois não?

Sónia Castro - Uma jornalista pelos palcos...

Conheci a Sónia penso que em 2001, na altura em que preparamos o musical "Memory" com o Grupo de Teatro Contrasenso. Com o passar dos anos a Sónia continuou o seu percurso teatral, musical e profissional, estivemos alguns anos sem falarmos muito, mas sempre admirei a sua versatilidade.
Aqui fica aquilo que já fez por este meandros dos palcos...


De 1995 a 2005 integrou o Grupo de Teatro Grupo Gólgota em Santa Maria da Feira com as peças:
"O Padre que se drogou..." – 1995 a 1999 

“Via-Sacra” – 1996 a 2006 
"Entrada Triunfal" – 1998 
"Ser Passionista no Mundo" – 1998 
"Santa Maria, Mãe do Tempo Novo" – 1998 
"O Bailarino Santo" – 1999 
"Os Filhos Pródigos" – 2000 a 2005  


Encenações de João Bezerra


De

1996 a 2000

Teatro da Academia em Viseu com as peças:
Performance “Da minha língua vê-se o mar” – 1996 

“Salvação” – 1996 
Performances "Azul" e "Vermelho" – 1997 
"Arca de Noé" – 1997 
"Delícias & Malmequeres" – 1998 
"Uma cadeira nma brincadeira" – 1998 
"Delícias & Malmequeres" – 1998  
Noite de Guerra" - 1999
"Haja Respeito!” – 2000


Encenações de Jorge Fraga



1999 - Formação do "Indo eu" - Projecto teatral inovador em Viseu, cujas várias actuações se definem como exercícios teatrais e performances, em locais diversos.


2000 - Workshop “A Poética do Espaço”, por Paulo Matos
Participação na peça protagonizada por este actor, “E Agora, Outra Coisa”, no Teatro Viriato - Viseu.

2003 - Teatro da Trindade (Lisboa) - “Viriato” – 2003
Autoria de Diogo Freitas do Amaral, encenação de Jorge Fraga.

2006 - Projecto de exploração – exercícios sobre o conto “A Testemunha” de Manuel da Fonseca, dirigido pelo actor Hugo Miguel Coelho

Projecto teatral CorpoCriações da Associação Ex-Quorum (Lisboa).



2001 a 2012 - Teatro Contra-Senso (Lisboa) com as peças:


“Memory” – 2001 e 2006
“Musas” – 2002
“3 Graças e 6 Sentidos” - 2003 e 2007
“Dancing With the Devil” – 2003
“É meia-noite, Doutor Schweitzer” - 2004
“À Noite” – 2004 e 2012
“Romeu e Julieta” - 2007

Encenações de
Miguel Mestre








Dentro de momentos segue a entrevista à Srª Jornalista Sónia Castro...




sábado, 24 de março de 2012

Miguel Mestre - The interview


Consciências Teatrais- Em que te ou em quem te inspiras para escreveres as tuas peças?


Miguel Mestre- Inspiro-me fundamentalmente nas minhas vivências pessoais, apesar de a sociedade ser igualmente uma fonte de inspiração que nunca deixa de brotar.


C.T.- Quando escreves, já o fazes tendo em vista alguém para o papel?


M.M. - Inicialmente escrevia para Actores, agora escrevo sem visualizar o rosto das personagens. Crio as figuras, dou-lhes vida no papel, mas são sempre Seres sem rosto. Contudo, existe personagens que se torna inevitável a associação a qualquer actor que conhecemos, tendemos sempre a associar traços de carácter a personagens que já vimos alguma Actor desempenhar.


C.T.- Lembras-te da tua primeira vez em palco? E da sensação que sentiste?


M.M.- Como poderia esquecer? Penso que todos os Actores se lembram da sua primeira vez em palco. É uma experiência marcante que nos acompanha para o resto da vida. Tinha 16 anos a primeira vez que pisei o palco. Fui a Brízida Vaz no Auto da Barca do Inferno no anfiteatro da minha escola secundária. Senti-me em pânico antes de entrar em cena, em transe no palco e aliviado no final.


C.T.- Qual foi o papel da tua vida?


M.M.- Não cheguei a ter o papel da minha vida. Na minha curta aventura pela encarnação de personagens não cheguei a ter "aquela" personagem.
Nunca pensei nisso, honestamente prefiro escrever do que representar.


C.T. - O que ainda te falta fazer em palco ou escrever numa peça de Teatro?


M.M. - Ainda me falta fazer muito em palco. A imaginação no que toca a situações que possamos ver representadas em palco não tem limites, é tão infinita quanto o universo, é essa a magia do Teatro, há sempre situações novas enquanto a liberdade intelectual do Homem existir.


C.T.- Deixa uma mensagem para este dia Mundial do Teatro.


Miguel Mestre: - Não vou dizer a frase cliché a que estamos habituados: "vão ao Teatro, não deixem morrer o Teatro " prefiro dizer "vivam o mais possível, dissequem a vida, questionem, tomem atitudes, gritem, amem... de tudo isto nascerá Teatro com certeza!"


Melhores cumprimentos a todos
Sandra C.

Miguel Mestre um criador de sonhos...


Olá, vou dar inicio a esta ronda de mini-entrevistas, pelo encenador Miguel Mestre.
Encenador e criador das peças que o Grupo de Teatro Contrasenso leva a cena desde 9 de Julho de 1997.
Também já foi actor, mas destaco aqui, as mais variadas peças escritas por ele, desde dramas a comédias, passando também pelos musicais.

Aqui ficam algumas das peças escritas por si:
- Déjà Vú em
- Apologia Hominídia
- Coita d'Amor
- Romeu e Julieta de Gulherme Shake the Beer
- Drácula de Bran Stocker (Adaptação)
- Simbiose
- Lenda do Ser em
- Lisboa Tudo e Nada em
- Memory
- Musas em
- 3 Graças e Seis Sentidos
- Dancing whit the Devil
- À Noite
- Paradoxo
- A Colina
- Road
- Icaro

Com o Miguel, dei passos muito importantes em palco, aprendi a não ter vergonha de representar uma personagem, mesmo esta sendo estranha, ridícula, pelo menos aos olhos do comum mortal.
Aprendi a libertar-me, aprendi que o palco é um local de fortes emoções e aprendi a crescer como actriz!
Obrigado Michael por tudo o que me ensinaste...

Sandra C.


sexta-feira, 23 de março de 2012

O Teatro...


Image in the http://theexpatriate.deviantart.com
Caminhamos para as comemorações de mais um Dia Mundial do Teatro na próxima Terça-feira dia 27.
Apesar de esta velhinha arte, apenas fazer parte do meu passado e eu não passar de uma mera espectadora, não quero deixar passar em branco esta dia.
Antes de mais "comprometer-me" a este ano tentar ir ver mais Teatro. Depois para comemorar esta data, gostaria de fazer uma coisa um pouco diferente. Este ano para dar um pouco mais de vida a este cantinho, resolvi armar-me em "jornalista" que não sou nem nunca fui, e fui "entrevistar" algumas pessoas que estão ou já estiveram em contacto com o palco.
Quanto ao palco, posso dizer que muitas saudades tenho eu de pisar um, de sentir o seu cheiro, de sentir a adrenalina dos ensaios, da criação de mais uma personagem, das estreias, do incógnito que é a reacção do público. Sinto saudades dos aplausos, dos ohhhhs e ahhhs quando alguma cena os choca ou surpreende. Saudades de tudo isso....
Das poucas vezes que tenho ido ao Teatro, tenho saído da sala com falta daquilo que gosto sentir, que é ao acabar o espectáculo, sentir-me cheia de um não sei quê, que me preenche e me deixa a falar do que vi, durante o resto da noite e por vezes ainda no dia seguinte.... isso não tem acontecido e pergunto-me porquê?
Será que sou eu que estou a ficar (ainda) mais exigente com o que acho aceitável? Será que está a acontecer-me, o que aconteceu com os livros que é ler, ler e não encontrar nada que me deixa satisfeita?
Talvez o problema se chame, eu criar grandes expectativas que nunca são superadas...
Talvez este ano eu vá ver a Tal peça que me surpreenda e deixe o meu coração a bater rápido!

Cumprimentos Teatrais a todos!!
Sandra C.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pensamentos sobre Teatro...

Estas frases não fui que as escrevi, de qualquer maneira aqui ficam algumas ideias, alguns pensamentos interessantes.

Em breve voltarei com novidades para o Dia Mundial do Teatro.


"O teatro é o primeiro soro que o homem inventou para se proteger da doença da angústia."


Jean Barrault




"A vida é uma peça de teatro, que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos"


Charles Chaplin




"Então sonhei um sonho tão bom: sonhei assim: na vida nós somos artistas de uma peça de teatro absurdo escrita por um Deus absurdo. Nós somo todos os participantes desse teatro: na verdade nunca morreremos quando acontece a morte. Só morremos como artistas. Isso seria a eternidade?"

Clarice Lispector




"O mundo inteiro é um palco
E todos os homens e mulheres não passam de meros actores
Eles entram e saem de cena
E cada um no seu tempo representa diversos papeis"


William Shakespeare                                                                                                                            








Saudações teatrais a todos
Sandra C.