terça-feira, 3 de março de 2009

Poema sobre o actor e o Teatro...

Vi este poema no blog da minha amiga Sónia http://www.sombrasminhas.blogger.com.br/ , como gostei muito, tomei a liberdade de o publicar aqui...

Poema acto III
"O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma, e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.

Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.

O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.
Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.
Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.

O actor em estado geral de graça."


Herberto Hélder

domingo, 1 de março de 2009

"A Colina" de Miguel Mestre...


"A Colina" é uma arrojada produção, dramática e surpreendente de autoria e encenação de Miguel Mestre, que promete causar grande impacto, apostando também numa grande riqueza cenográfica e ao nível do guarda roupa. "
Esta peça do Grupo de Teatro Contrasenso tem ainda uma participação especial da Associação Cultural Bucovina, este é um grupo de folclore romeno, que apesar de longe das suas origens continuam a manter as suas tradições bem vivas.
Os espectáculos podem ser vistos:
- 21 de Março - Teatro Armando Cortez - 21h30
- 27,28 de Março e 4 de Abril - Espaço Municipal da Flamenga - 21h30

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"Ícaro, O Balão azul"

Este sábado o Grupo de Teatro Som das Letras vai estrear mais uma peça de teatro para os mais jovens, o nome da peça é "Ícaro, O Balão azul".
A dramaturgia está a cargo de Eduarda Vieira, enquanto que a encenação está nas mãos de Marcelo Cañas.
Esta peça vai estar em cena este sábado e domingo no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Queluz pelas 17 horas.
Com certeza mais uma peça do TSL que vai encantar miúdos e graúdos...
Até sábado então...