segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Para quem deseja conhecer o outro lado do palco.

Hoje recebi este mail espero que seja de interesse para quem pretende conhecer o outro lado do palco.
Esta é uma iniciativa do Cegada Grupo de teatro.


"Oficina de Teatro
- Datas: •23 Outubro a 13 de Dezembro (Carga horária: 62h)
- Horário: •3ª, 5ª feira, das 21h às 23h e sábados das 15h às 19h
- Módulos e Formadores:
•Historia do Teatro - Carlos Melo
•Respiração e voz - Luís Lamancha
•Ritmo e dança - Cláudia Ambrósia
•Técnicas de representação - Mauro Corage
•Preparação do Actor - Mauro Corage
•Memoria sensitiva - Mauro Corage
•Maquilhagem e caracterização - Carla Freire
•Técnica da máscara - Vasco Lavado
•Trabalho sobre o texto - José Teles
•Apresentação do trabalho final – CEGADA Grupo de Teatro Destinatários
•A Oficina de Teatro destina-se a um público-alvo com a idade mínima de 16 anos.

Inscrição:
•As inscrições devem ser feitas até 18 de Outubro 2008, através de Ficha de Inscrição disponível no Espaço Cegada: Pctª 25 Abril, sala 4 Alverca do Ribatejo (em frente ao Centro Comercial Parque)
Ou através de e-mail
cegada@gmail.com

Informações – 964 322 890
Preços:
•75 € na totalidade.
•40 € por duas vezes.
•30€ em três vezes.

Se gosta e ou queres experimentar Teatro, inscreve-te.
De qualquer forma divulga.

CEGADA Grupo de Teatro"

sábado, 12 de julho de 2008

Contrasenso 11 anos a fazer sonhar...

O Grupo de Teatro Contrasenso está de parabéns pelos seus onze anos a serviço do teatro amador.
Este grupo começou as suas primeiras actividades na Escola Secundária D. Dinis, no Grupo de Teatro D. Dinis.
Este grupo foi fundado fundado oficialmente a 9 de Julho de 1997, como grupo de teatro amador e sem fins lucrativos.
Contam no seu curriculum mais de uma dezena de peças de teatro dos mais variados géneros.
A primeira peça data de 1997 com o nome de "Déjà Vú", a sua última peça foi a reposição da comédia "Coita D’ Amor".
Quem os conheçe, sabe que não deixam as artes de palco em mãos alheias, pois o seu habitual encenador e também autor das peças, tem uma maneira muito particular e algo excêntrica, conseguindo sempre surpreender quem assiste aos espectáculos.

Deixo aqui os parabéns ao Grupo e que continuem a honrar as artes de palco.
Podem ver mais informações sobre este grupo nas suas páginas:


http://www.contrasenso.com/
http://grupodeteatrocontra-senso.blogspot.com/
http://www.youtube.com/teatrocontrasenso

Deixo também um vídeo com a reposição da "Coita D'Amor".







domingo, 22 de junho de 2008

"Vida ao quadrado"

O excerto do texto que aqui deixo faz parte da peça "Vida ao quadrado" e conta a história de quatro mulheres cada uma com problemas diferentes.
A personagem principal (presa 1), é uma adolescente (mãe solteira), toxicodependente, presa por acusação de homicidio e com problemas de esquizofrenia (relacionadas com o consumo de droga).
A Guarda prisonal é uma mulher amargurada pela perca da filha, de ressentimentos guardados e algo bruta.
A presa 2 é uma mulher paranoica com a sua condiçaõ de prisioneira, quer controlar tudo e todos.
A advogada é meia-irmã da personagem presa 1, apesar de ser advogda de defesa faz de tudo para arruinar a vida da irmã, a mando do pai.
Esta peça retrata algumas situações bastante reais, como a inveja, a toxicodependência, a gravidez na adolescência, entre outras situações.

"Presa 1 – Estive a sonhar com o sol, com as nuvens, elas pareciam algodão doce. Vi-te correr para mim, tinhas tantos caracóis... e eu afagava-te o cabelo. Tu sorrias, depois fugiste e eu corri atrás de ti, mas já não te consegui apanhar. Fugiste e eu não fui capaz de ir atrás de ti. Mas não importa, foi só um sonho mau, tu estás aqui e eu vou proteger - te sempre. Quando sair daqui a nossa vida vai mudar. Não vou voltar a tocar em nada, vou arranjar um trabalho, vou voltar a ter uma vida.
E vamos ser muito felizes, filho. Vamos, não vamos? Tu vais ajudar a mãe a ser uma pessoa melhor.
Vamos construir tudo de novo, vou dar-te o amor e o carinho que nunca tive.

(Mudando de atitude, olhando para um dos lados do palco, como se estivesse a ver alguém, fala de forma a ganhar uma personalidade agressiva)

O que é que tás aqui a fazer? Vai-te embora, vai, desaparece da minha vida...

(Agarrando na cadeira ameaçando a personagem imaginária)

Vens roubar o meu filho outra vez? Não vou deixar, vou enfrentar-te cara a cara. Matei-te uma vez, matar-te-ei quantas vezes forem precisas, mas o meu filho não mo vais tirar.
Lembras-te? Quando eu te disse que estava grávida, eu estava tão feliz. E tu?
Tu nem quiseste saber, mandaste-me para a má vida e quando te disse que não ia, bateste-me porco.
Um dia, tavas tão passado, que tiveste a lata de me dizer que eu tinha que abortar.
O quê? É que nem penses, respondi eu, se não queres este filho, eu quero, é a minha razão de viver.
Nessa noite quando estavas a dormir, nem deste conta, sufoquei-te até à morte e não me arrependo de nada, fazia-o de novo, quantas vezes...

(Ouvem-se do lado de fora do palco baterem na parede e gritarem)

Vozes – Cala-te ó xanfrada, o pessoal quer dormir...
Gaja, vê lá se te calas, se não vamos ai e cortamos-te o pio...

(Guarda entra e pergunta-lhe)

Guarda – Então, hoje não se dorme?

Presa 1
– Ele está ali, veio cá para levar o meu filho. Tás a vê-lo? Ali, encostado à parede...

Guarda – Está descansada que ele vai-se já embora.

(Guarda dirige-se quase à boca de palco e faz de conta que está a falar com alguém)

Ó rapazinho, vá, põe-te na alheta. A andar daqui para fora. Vá lá...
Vês como ele é obediente, já foi...

Presa 1 – Ele ainda tá ali à porta a rir-se de mim.

Guarda – Não ouviste o que eu te disse? Lá para fora....
Agora nós, o que é que se passa hoje? Não consegues dormir?

(Presa 1 vai - se sentar na cama abraçada aos joelhos, balançando o corpo. Guarda fica de pé a ver)

Presa 1 – Eu quero dormir, mas a minha cabeça não me deixa... Tenho tudo misturado cá dentro. Sinto-me angustiada...

Guarda - É normal, estás a viver um momento de grande pressão. Mas tens de te acalmar, isso não faz bem nenhum ao teu bebé. Ou queres que ele já venha para ai a berrar que nem um bezerro. Vá lá, tens que descansar...

(Guarda senta-se na cama, fazendo com que a Presa 1 se deite no seu colo)

Eu fico aqui até tu adormeceres...

Presa 1 – Tu tens filhos?

Guarda – Tive, uma filha... mas morreu. Devia ter agora seis anos, mas morreu... a minha filha morreu.

Presa 1 – Contas-me uma história?

(Guarda assentindo com a cabeça, faz-lhe festas no cabelo e conta-lhe a história)

Guarda – Era uma vez uma pequena sereia, tinha os olhos azuis, profundos como o mar, o seu cabelo era um emaranhado de algas que soltavam um perfume suave, único. Quando nasceu parecia um pequeno botão que aos poucos foi desabrochando. O mundo foi-se apresentando a ela, a vida foi-se renovando a cada dia que passava. As cores do arco-íris eram ainda mais intensas no fundo do mar. Até que chegou um dia em que o ciclo de vida se fechou, as cores já não eram vivas, mas sim sombrias, o sorriso da menina foi-se apagando, até que um dia desapareceu por completo. Um eco profundo invadiu o fundo do mar, deixando todos quantos lá viviam tristes com a partida da menina....

(Presa 1, acaba por adormecer, guarda continua a contar a história acaba por adormecer. Luzes baixam ficando o palco quase na escuridão.
Luzes voltam a acender e a Presa 2 entra em cena, gozando com a situação)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Amantes da Noite...

O Grupo de Teatro do Ginásio Clube de Queluz apresenta a peça "Amantes da Noite" no Salão Nobre d’Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz.

"Clown e stripper ficam ao relento… Sentados nos degraus do Olimpo dos sonhos, recusam terminantemente a prisão do vazio, vazio que preenchem na embriaguês dum riso pueril até a garrafa de whisky se esvaziar em sucessivos goles estapafúrdios.
O clown, num gesto técnico - “Música Maestro!”

- solicita à Lua intrusa os acordes de uma canção de mar.

Acordes que estimulam a imaginação destes errantes noctívagos

– ela, por magia das brisas, aparece vestida de corais, executando movimentos de ventre suaves.
Ele, improvisando, fá-la deslizar-se através de uma a cadeira de escritório, que, provavelmente, alguém havia deitado à rua, ao lixo ou ao acaso do espaço nocturno, num momento em que a sua mente se desburocratizou.
- sabe-se lá!
- se libertou do espartilho normativo dos comportamentos ou quem sabe?
- no instante em que perdeu o tempo de ser alguém com poder sobre alguém ou coisa nenhuma.
Mas isso agora pouco importa, porque pouco ou nada importa mesmo.
O que importa, aqui e agora, é que o objecto cadeira de escritório com rodas interaja cenicamente na geometria dos passos de uma dança pretensamente criativa, que, de penumbra em penumbra, os faça assumirem-se cúmplices nos sons melódicos da intimidade.
Eflúvios de álcool e abundantes reticências no guião do desencontro,embriaga-os.
Alucina-os. Como a fantasia alucina os poetas."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Abril... (parte 2)

Na continuação do texto anterior, deixo aqui uma segunda parte desta peça, falando sobre os "famosos" interrogatórios que a PIDE fazia...

(Narradores trazem uma cadeira e colocam-na no centro do palco)

- Ser ou não ser, já escrevia Shakespeare.
- Eis a questão?
- Qual?
- A questão fundamental do nosso viver.
- Da nossa maneira de estar perante a vida...
- ... e perante a sociedade tão castradora ontem...
- ... tal como ainda hoje.
- Usar o amarelo...
- ... assim como o Laranja ou o vermelho...
- ... sem que nos apontem um dedo acusatório.
-Ter direito a vida própria, fazer opções, orientações...
- ... sem que para andar na rua...
- ... tenhamos que olhar para um lado...
- ... e para o outro, com medo que a escuridão dos enfatiados...
- ... nos venha absorver todas as nossas forças e vontades.

(Sentado no público está a personagem António, surgem dois homens vestidos de gabardinas escuras e chapéus, focos de luz apontam para as personagens)


Pide 1 – Ó amigo, você chama-se António Alves, não é?

António – Chamo porquê? Os senhores desejam alguma coisa?

Pide 2- Porque o senhor tem de nos acompanhar.

António – Acompanhar? Eu não vos vou acompanhar coisíssima nenhuma, eu tenho é de ir para casa descansar e ver o meu filho e a minha mulher...

Pide 2 – Xiuuu...pianinho...o senhor vem connosco e mais nada.


António – Mas qual quê... Eu tenho os meus direitos...mas onde é que eu vou com vocês e porquê? Eu não vou e não vou mesmo.

Pide 1 – Mas quais direitos...você tem é o direito de estar muito caladinho e mais nada.

(Os homens levantam António á força e empurram-no pelo corredor, cada um agarrando um braço, António tenta fazer finca pé. No palco encontra-se uma cadeira colocada no centro do palco com um foco por cima dela.
António é sentado na cadeira, os dois homens saem, faz-se um compasso de espera de dois, três segundos e entra um outro homem que diz):



Pide 3 – O freguês é este? Então conta-me lá, diz lá tudo o que tens para me dizer!

(Momento de espera)

Então não falas? O gato comeu-te a língua foi? Vá lá, quanto mais depressa falares, mais depressa vais para “casa descansar ver o teu filho e a tua mulher...”

(Momento de espera, seguido de um grito aos ouvidos de António)

Fala, meu sacana ou ainda te arranco a língua!

António – (Muito calmamente) Eu não tenho nada para lhe dizer!

Pide 3 – (De costas para António)
Ai não companheiro? Vais ver que não tarda muito, começas a cantar como um passarinho!

(Agarrando-o pelos cabelos)

Então, agora falas ou nem por isso? Vá, começa lá a cantar!

António – Não vou falar, não tenho nada para dizer, largue-me seu filho da mãe!
Largue-me ou eu...

Pide 3 – Ou tu... ou tu o quê? O que é que tu fazes? Então querias reivindicar, não era?
E agora não falas pois não?

(Gritando, segurando-o pelos colarinhos)

Pois não?

(Dando um pontapé na cadeira, obrigando António a ficar de pé)

Já que não queres falar, ficas ai de pé até achares que já tens alguma coisa para nos dizer.
Ai quietinho, nem um pio, ahh, não te quero ouvir respirar, nem uma mosca sequer.

(Dando-lhe palmadinhas na cara.
António olha-o fixamente e cospe-lhe a cara)


Pide 3 – (Limpando a cara, com as costas da mão)
Meu safardolas! Tu estás a pedi-las...
(dando-lhe um murro na cara e saindo da sala, foco continua a iluminar António, faz-se silêncio, entram o narradores)

- Hoje, quem serão estas pessoas?
- Viverão com algum peso na consciência pelo mal que fizeram?
- A mente estará atrofiada?
- Conseguirão deitar a cabeça na almofada e dormir descansados de noite?
- Ou levaram consigo este peso para a cova?
- Ou será que a perversidade funciona como uma borracha e hoje já nem se lembram do que fizeram?

(António ainda se aguenta em pé algum tempo, depois começa a sentir-se fraco e acaba por cair.
Narradores agarram na cadeira e colocam-na de maneira que se possa ver António no chão, um deles senta-se)

- Parem...
- Pensem...
- Olhem para a cadeira que está ao vosso lado? Conseguiram analisar se a pessoa que está lá sentada seria capaz de atrocidades como estas?
- Olhando para o mundo á vossa volta...
- Conseguiriam identificar alguém capaz de tais crueldades?

(Narradores agarram no homem e levam-no para fora de cena.
Canção de Zeca Afonso
“Os Vampiros”)

domingo, 13 de abril de 2008

Abril...

Neste mês que é o de Abril, festeja-se a liberdade... de expressão, festeja-se todas as liberdades.
Por isso deixo aqui um excerto de um texto que faz parte de uma peça para ser feita em Abril.

"(No palco está um cenário a preto com um cravo vermelho pintado, luz negra entre cada cena, narradores vestidos de pretos, eventualmente com um apontamento de vermelho, umas luvas por exemplo)

- Hoje, vamos festejar Abril...
- ... hoje vamos festejar a vida, a tua, a minha...
- ... a nossa, a vossa liberdade de poder afirmar eu sou...
- ... eu e estou de bem com a vida.
- Não há cá vai - se andando, aqui, só se vai estar sempre bem.
- Porque é bom poder dizê-lo aos sete ventos...
- ... gritar para quem quiser ouvir...
- ... adoro viver!
- Sem repreensões, sem dúvidas que exista alguém na sombra de cada esquina, que coloque em dúvida quem somos e o que fazemos.
- Esta, é a nossa missão esta noite, ainda que por vezes impossível...
- É sempre bom poder sonhar com um mundo melhor...
- É sempre bom poder sonhar...
- “Que o mundo pula e avança, como uma bola colorida, por entre as mãos de uma criança. “

(Cantar/ Dançar "Pedra Filosofal "– António Gedeão)

- Agora com as almas já aquecidas pelo calor da música...
- Vamos ao concreto e ao propósito de nos reunirmos hoje nesta sala.
- Não estamos aqui para pedir dinheiro...
- ... estamos cá para alertar consciências...
- ... para vos dar conhecimento do rumo que a expressão e a sua liberdade pode tomar quando erramos...
- ... ainda que sem intenção, ignorando o passado.
- Querendo no presente ocultar o que outros fizeram...
- ... para que hoje possamos gozar do nosso próprio á vontade nas questões básicas da vida.
- Desde a política, á vida social, poder decidir ou não...
- ... se estamos bem ou mal e se queremos mudar algo na nossa vida.


(Cantar "Muda de vida" – António Variações)


- O que esta noite parece algo de comum...
- ... nós aqui deste lado, dando-vos um pouco daquilo que cada um de nós sabe fazer...
- ... e desse lado, a partilha de opiniões...
- ... a critica construtiva...
- ... que para nós é tão importante, era quase inexistente não há muitos anos.
- O que os livros de história não contam...
- ... as emoções, os sofrimentos...
- ... os sorrisos e as lágrimas...
- ... nós hoje vamos contar aqui.

(No fundo da sala está Alferes Gonçalves e é interpelado por um soldado):
Soldado – “Mê alferes, o Rodrigues está, de arma aperrada, á entrada da caserna dos condutores e diz que “limpa” o primeiro que lá quiser entrar. Está muito nervoso, fora de si, parece o diabo em pessoa. Ai que desgraça!

(O Alferes dirige-se para o corredor entre o público e o soldado vai atrás dele dizendo):
Soldado – Onde é que vai mê alferes? Olhe que ele mata-o.

(Sem dar ouvidos avança, ainda que á cautela. Soldado Rodrigues está de arma apontada a ele, chora e treme dizendo):
Rodrigues – Não avance meu alferes, olhe que eu disparo... Vou-me matar, e quem tentar impedir-me, lixo-o, vai á minha frente.

(Dando mais um passo o alferes questiona):
Alferes Gonçalves – Oh Rodrigues, deixa-te de merdas, tens alguma coisa contra mim, tens algo contra alguém, tens razão de queixa dos teus camaradas?

Rodrigues – Não avance, meu alferes, não avance, merda... Olhe que eu disparo.

(Na sala estão alguns soldados a observar a situação. O alferes Gonçalves avança para Rodrigues decidido, embora cauteloso dizendo):
Alferes Gonçalves – Vais entregar-me essa merda dessa G3... eu vou avançar... (voltando-se para trás para os soldados) e vocês, regressem ás vossas tarefas. Eu e o Rodrigues temos de conversar... Dás-me essa arma?

(Diz estendendo as mãos. Ao receber a arma, os dois homens caiem nos braços um do outro, Rodrigues chorando desalmadamente como uma criança e o alferes Gonçalves fazendo um extremo esforço para não fazer o mesmo.
Os soldados ainda lá estavam, uns suspirando de alívio, outros chorando, quando o alferes volta a dizer):
Alferes Gonçalves – Não ouviram? Regressem ás vossas tarefas! Eu e o Rodrigues vamos conversar.

(Os soldados dispersam)
Alferes Gonçalves – Homem, agora conta-me lá, o que se passou dentro dessa cabeça? Estás com algum problema?

Rodrigues – Ó meu alferes, eu não sei, estou farto disto...

Alferes Gonçalves – Mas olha lá rapaz, quem é que não está?

Rodrigues – O senhor desculpe isto que aconteceu, se me quiserem castigar façam-no, eu sei que mereço. Mas não me conformo, quando sai de Lisboa, tinha prometido ao meu pai, que nada me aconteceria, no entanto desde que cá estou já fui parar á enfermaria quatro vezes, eu não presto para aqui estar.

Alferes Gonçalves – Rodrigues, esquece o castigo, isto morre aqui. Agora deixa-te dessas coisas e vê se te acalmas.

Rodrigues – Obrigado, meu alferes, obrigado por tudo.

Alferes Gonçalves – Obrigado por nada, vamos lá ali beber umas Cucas e esquecer isto rapaz. Vá, vem daí.

(Personagens saem de cena)
- Os momentos de loucura pura e dura, as feridas da alma...
- ... perduram em muitos homens até aos dias de hoje.
- Muitos deixaram de viver as suas próprias vidas...
- ... para embarcarem na viagem ao universo dos fantasmas e sonhos maus.
- Abandonados á sua sorte, pelas famílias e pela sociedade...
- ... muitos são os chamados sem abrigo que habitam as nossas ruas e alguns hospitais psiquiátricos...
- ... a quem nós olhamos de lado com pena e desprezo.
- Quem sabe, um dia tenham algo mais para nos contar...
- ... no dia em que pensarmos pormo-nos na pele deles...
- ... quem sabe acordarão por fim do sonho mau...
- ... e passarão a ser pessoas como nós.

(Canção “Aquele Inverno” – Delfins) (...)"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Coita d' Amor - Grupo de Teatro Contrasenso

O Grupo de Teatro Contrasenso já estreou mais uma peça, desta vez é uma reposição da peça "Coita d' Amor" , uma "comédia inspirada no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.
Donzilia, uma sofredora dama medieval, vê o seu amado partir para a guerra.

Só e desgostosa, depara-se com uma série de cavalheiros que disputam o seu amor. Apaixona-se por todos, mas a sua mãe parece não gostar muito da ideia.


Contudo, o pior está para vir, quando o seu amado voltar da guerra."


A peça estreou com casa cheia a 5 de Abril e ós seus próximos espectáculos dia 11 e 12 de Abril pelas 21.30 no Auditório Fernando Pessa, no Espaço Municipal da Flamenga em Lisboa.
Mais informações in http://grupodeteatrocontra-senso.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Consciências Teatrais...

Este é o primeiro pos't do blog "Consciências Teatrais", como já devem ter percebido, este blog era o antigo cantinho, do Grupo Tetro G.B. 22 Maio da Idanha, aqui vai continuar a espreitar o que fizemos, mas daqui para a frente, este blog deixa de pertençer a um Grupo de Teatro e passa a pertencer à comunidade teatral, principalmente à amadora.
Junte-se a nós nesta aventura!

Cumprimentos teatrais...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Hoje dia Mundial do Teatro...

...quero agradecer em meu nome pessoal todos os comentários deixados neste blog, pelo facto de o Grupo ter terminado os seus trabalhos.

Quero pedir a todos os que conheço que gostam de teatro e que fazem teatro amador que continuem a gostar, a lutar e a honrar esta arte.
Fazer Teatro é uma honra, dar asas a personagens diferentes que nada tem a ver connosco é um prazer, escrever para teatro é um sonho.

Agora apenas quero deixar aqui um apontamento especial à pessoa "Yzabell", que não faço a mínima ideia quem seja, a si apenas lhe quero dizer que sempre sube que trabalhar numa colectividade de bairro era complicado, que sempre sube que por amor à arte era preciso engolir muitos sapos (acho que engoli os bastantes), mas desta vez o Grupo não acabou por causa de nenhuma destas coisas, acabou sim, porque a vida pessoal das pessoas que ainda faziam mexer o Grupo, se modificou.
Quanto ao projecto dos cinco anos de que fala, não sei do que se trata, apenas sei que da 1ª vez que sai do Grupo, não sai de lá a acusar ninguém de "mandonas, e convencidas", não sai de lá para ir ganhar dinheiro como existiu muitas pessoas que me acusaram de tal, entre muitas outras coisas. Sai de lá, porque o ambiente não era compativél com a minha maneira de estar, pois o respeito para mim é muito bonito e o que existia era precisamente uma grande falta de respeito, da parte de alguns actores e familiares e também de algumas pessoas de fora do grupo para com o encenador. Existia pessoas a mais, a querer mandar.
Aprendi muito nos anos que estive fora do G.B. e quando alguém do G.B. me pediu para voltar ponderei muito de havia de voltar, mas uma vez que o fiz, orgulho-me de ter estado com pessoas que pensavam como eu e que queriam fazer do teatro algo de real e concreto.
Que queriam mostrar que o teatro não é só ir para cima do palco, mandar umas "larachas" para o ar para nos rirmo-nos muito, que estar num grupo de teatro não é só juntar uns amigos e fumar uns cigarros.
Orgulho-me de ter mostrado que apesar das muitas dificuldades, mostrou-se e honrou-se o que é o Teatro Amador.

Este pos't já vai longo, apenas quero acrescentar, que este blog vai ser alterado e vai passar a ser um blog onde se pode trocar ideias sobre teatro (textos, peças em cena, opiniões, etc.)
Em breve farei essa alteração e conto com todos os que amam esta arte para dar a sua opinião.
Cumprimentos teatrais a todos...

Sandra Cabaços